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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Reis franceses - Parte I (Dinastia Merovíngia)

Falamos tanto em reis e rainhas, mas mal sabemos quem foram os maiores reis e rainhas que a História já teve. Hoje, pretendo começar a relatar um pouco da História dos Reis da França.

Nossa linha do tempo começa em 410 (século V), com a Dinastia Merovíngia (410/751):

1) Faramundo (410 a 426): provavelmente seja possivelmente uma figura mais lendária que histórica;

2) Clódio (426 a 447): filho de Faramundo e Argotta. Foi um rei semi-lendário dos francos;

3) Meroveu (447 a 458): filho de Clódio e Basine, teria sido dele a linhagem dos reis francos, por isso do nome Dinastia Merovíngia (de Meroveu);

4) Childerico I (458 a 481): filho de Meroveu e Vérica. Sua capital era Tournai, e manteve paz com os romanos;

5) Clóvis I (481 a 511): filho de Childerico I e Basina. Graças à sua esposa, Clotilde, levou seu povo a adotar o Cristianismo como religião. Fundou a Dinastia de Reis Francos cristãos. Abaixo, o Batismo de Clóvis:



6) Childeberto I (511 a 558): filho de Clóvis e Clotilde;

7) Clotário I (558 a 561): filho de Clóvis e Clotilde, e irmão de Childeberto I. Casou-se seis vezes, com Ingunda, Guntheuc, Aregunda, Chunsina, Radegunda e Waltrade, e teve oito filhos;

8) Cariberto I (561 a 567): filho de Clotário I e Ingunda;

9) Chilperico I (567 a 584): filho de Clotário I e Aregunda (irmã de Ingunda). Abaixo, retrato de Chilperico I e Fredegunda:



Conta-se que Chilperico I era casado com Audovera (com quem teve 5 filhos), e Fredegunda era serviçal dela. Mas ela seduziu o rei e o convenceu a separar-se de Audovera, enviando-a a um convento (567)
O rei fez isso, mas se casou com Galswinta, filha do rei visigodo Atanagildo. O irmão de Chilperico I, Sigeberto I, também havia casado com uma filha do rei Atanagildo, chamada Brunilda.
Mas Galswinta acabou sendo assassinada, e logo Chilperico I desposou Fredegunda (570). Esse fato provocou uma guerra entre a Nêustria (governada por Chilperico I) e a Austrásia (governada por Sigeberto I).
Quando Sigeberto I começou a vencer, Fredegunda enviou emissários que o assassinaram, e a vitória começou a mudar para a Nêustria. Enquanto isso, Brunilda se casou com Meroveu II, filho de Chilperico e Audovera. O rapaz se tornou inimigo do pai e da madrasta...
Mas Meroveu II foi cercado pelo pai, e antes que fosse capturado, pediu a um serviçal que o matasse. Em seguida, foi Chilperico I que morreu, de forma misteriosa, e Fredegunda conseguiu que Clotário II, único filho vivo do casal (quatro irmãos haviam morrido antes), fosse declarado sucessor do rei...

10) Clotário II (584 a 629): filho de Chilperico I e Fredegunda. Seu pai morreu antes dele nascer, e sua mãe foi Regente até 597, quando também morreu. Assim, ele assumiu o trono com 13 anos. A guerra contra a Rainha Brunilda persistiu até 613, quando ele derrotou-a, bem como seu bisneto, Sigeberto II. O Reino Franco estava novamente unido. Em 615, ele promulgou o Édito de Paris, que fortaleceu a monarquia franca;

11) Dagoberto I (629 a 639): era filho de Clotário II e Berthetrude. Foi o último rei merovíngio com algum poder real. Construiu o Altes Schloss (Castelo Antigo) em Meersburg - Alemanha (o mais antigo castelo habitado desse país) e a Basílica de Saint-Denis, em Paris;

12) Clóvis II (639 a 658): era filho de Dagoberto I e Nantilde e foi pai de três reis: Clotário III (658 a 673), Childerico II (673 a 675) e Teodorico III (679 a 691);

13) Clotário III (658 a 673): filho mais velho de Clóvis II e Batilde;

14) Childerico II (673 a 675): segundo filho de Clóvis II e Batilde;

15) Dagoberto II (675 a 679): não era um merovíngio autêntico, mas governou num período um pouco caótico;

16) Teodorico III (679 a 691): terceiro filho de Clóvis II e Batilde, passou a governar todos os francos, com a morte de Dagoberto II;

17) Clóvis IV (691 a 695): filho de Teodorico III e Clotilde de Herstal, assumiu o trono com 9 anos e morreu com 13;

18) Childeberto III (695 a 711): outro filho de Teodorico III e Clotilde de Herstal. Era chamado O Justo;

19) Dagoberto III (711 a 715): filho de Childeberto III e Ermenchilde (ou Edonne). Morreu aos 16 anos;

20) Chilperico II (715 a 721): filho mais jovem de Childerico II e Bilichilde, foi coroado rei aos 45 anos, quando Dagoberto III (seu sobrinho-neto) morreu;

21) Teodorico IV (721 a 737): era filho de Dagoberto III e Clotilde de Saxe. Quando seu pai morreu, foi aprisionado no Monastério de Chelles. Foi libertado quando Chilperico II morreu, em 721. Tinha 8 anos e governou até os 24 anos, quando morreu;

22) Childerico III (737 a 751): era filho de Chilperico II e Chrotaudis. Nasceu em 714 e começou a governar muito tempo depois da morte de Teodorico IV, quando o trono ficou vago. Era chamado de O Idiota ou o Rei Fantasma. Foi o último rei da Dinastia Merovíngia, sendo sucedido por reis da Dinastia Carolíngia, que veremos num próximo post...

A Revolução Francesa - Parte I



Imagem: Demolição da Bastilha, 1789, de Hubert Robert (1733/1808)

Se a economia do mundo do século XIX foi formada principalmente sob a influência da revolução industrial britânica, sua política e ideologia foram formadas fundamentalmente pela Revolução Francesa. (Eric Hobsbawm)

E qual era essa "política" e essa "ideologia"? As idéias pregadas no Iluminismo podem ser resumidas em apenas uma palavra: "liberdade". Segundo Hobsbawm, até 1800, essa palavra significava apenas o contrário de "escravidão". Mas, com o advento da Revolução, ela passou a ter um novo sentido...
De fato, se formos apenas diferenciar "liberdade" de "escravidão", então todo e qualquer cidadão que não fosse escravo, deveria estar satisfeito, por ser "livre". Mas que liberdade era essa, onde os governantes podiam tudo e o povo não podia nada?
A simples frase "a vontade do povo é a vontade de Deus" não teria sentido, pois a "vontade de Deus" era manifestada pelos membros da Igreja e, acima de todos, do rei.

Hobsbawm lembra que a Revolução Francesa não foi a única do período, mas foi a que teve maior alcance, influenciando as revoluções na América Latina e até na Índia. E os ideias que ela pregou foram tão radicais e profundos, que têm repercussão até hoje.

A França, no século XVIII, era a segunda nação mais populosa da Europa (só perdia para a Rússia), era forte nas questões econômicas (em alguns pontos, superava a Grã-Bretanha) e era uma das mais tradicionais monarquias européias, sendo que muitos costumes e regras de etiqueta surgiram ali, e depois se "espalharam" para outras monarquias. É claro que as diferenças sociais também deveriam ser mais agudas...

Para entendermos o cerne da Revolução Francesa, tentemos compreender o significado da expressão "reação feudal". Para exemplificar, observemos um nobre daquela época:



Acima, temos um quadro de 1779, pintado por Joshua Reynolds (1723/1792). Nele, vemos Louis Philippe Joseph d'Orléans , Duque de Chartres e, em seguida, Duque de Orleans ( 1785 - 1792 ), que mudou seu nome para Philippe Egalité depois de 1792.

Entre 23 milhões de franceses, apenas 400 mil formavam a nobreza, e Louis Philippe estava entre os de "primeira grandeza". Um nobre, naquele tempo, não pagava impostos, não trabalhava e ainda recebia tributos feudais. Esses nobres não possuíam experiência administrativa e nunca pensaram em "economizar" ou "gastar pouco". Essas, eram idéias que nem sequer passavam pela cabeça de pessoas "bem nascidas". Como não trabalhavam (o trabalho nem era bem visto entre a nobreza), gastavam o dinheiro que recebiam de suas propriedades feudais, e cada vez mais. Como muitos nobres viviam na Corte (na capital), não estavam no dia-a-dia de seus servos, que viviam apenas para manter seus luxos. E os altos postos do Governo estavam tomados por essa classe, que os ocupava por berço, e não por competência...

Quem não estava satisfeito com essa situação era o camponês e a classe média, que juntas representavam 80% da população. Além dos impostos sempre crescentes, essa massa também sofria com a fome, a má administração, a inoperância governamental e até mesmo com a inércia, pois a situação social estava "cristalizada".

O envolvimento da França na Guerra da Independência dos Estados Unidos foi a gota d'água que faltava. O Estado francês saiu dessa Guerra em prejuízo, e tentou reverter a situação "apertando" ainda mais o "cinto" dos 80% de sofredores franceses, sem mexer nos privilégiso dos 20% representantes da Nobreza e do Clero...Segundo palavras de Hobsbawm:

A guerra e a dívida - a guerra americana e sua dívida - partiram a espinha da monarquia.

Síntese: páginas 83 a 90 (continua)

sábado, 15 de janeiro de 2011

Outros Blogs

Como bom historiador, não me conformei em ter apenas um Blog dedicado à História. Assim, criei outros, que descrevo a seguir:

1) Vento no Litoral: criei esse Blog em Janeiro de 2008. No início, pretendia apenas relatar assuntos que viessem à minha cabeça. Depois, comecei a postar alguns textos de História e imagens que usava em sala de aula. Depois, como me candidatei à Direção do Colégio onde trabalho, pouco postei. Somente em Julho de 2009, é que recomecei a postar nesse Blog, mas já pensando em dedicá-lo à música (quando o criei, o primeiro Post foi justamente a letra da música Vento no Litoral, de Renato Russo). Assim, postei sobre a música negra (Julho de 2009), e instrumentos musicais africanos (Outubro de 2009). Em Janeiro de 2010, postei sobre Ernesto Nazareth e em Outubro de 2010 postei sobre Pixinguinha. Finalmente, em Novembro de 2010, comecei a levar o Blog mais a sério, e postei sobre as músicas feitas no início do século XX, como Saudades do Matão (1904) e Pelo Telefone (1917), o primeiro samba. Em dezembro, ampliei a idéia do Blog, e comecei a escrever sobre a música de origem negra em geral (Jazz, Blues, Samba, Charleston), sobre grandes personalidades da música (W.C. Handy, Al Jolson, Noel Rosa) e sobre músicas que fizeram sucesso, seguindo uma cronologia (Músicas de 1900 a 1920). Agora, no início de 2011, já postei sobre George e Ira Gershwin, sobre os Anos 20 e sobre o Carnaval de antigamente...Pretendo, na sequência, entrar nos Anos 30, na Era de Ouro do Rádio...O endereço desse Blog é http://rzeusnet-ventonolitoral.blogspot.com/

2) AcinemaZ (ou Cinema de A a Z): eu sou vidrado em cinema, e sempre quis fazer um Blog dedicado à "sétima arte". Assim, eu já tinha feito o primeiro AcinemaZ em Julho de 2008 (http://acinemaz.blogspot.com/). Mas, acabei mudando para o atual (http://rogercinema.blogspot.com/), em novembro de 2010. Apesar de ser novo, já postei muita coisa sobre cinema, nele: um trecho do filme Cinema Paradiso, um texto (incompleto) sobre Carlitos, um texto sobre os 20 Maiores de Hollywood, outro sobre os Vampiros das telas, biografias de personalidades do cinema (O Gordo e O Magro, D.W. Griffith, Douglas Fairbanks e Mary Pickford, Rodolfo Valentino, Nita Naldi, Edith Head, Fred Astaire), e uma retrospectiva do cinema, que iniciei com o ano de 1895, quando foi realizada a primeira sessão de cinema. E tudo com muitos vídeos, pois cinema só em fotos e relatos não é cinema. Já postei o filme Trem Chegando a Estação e Trabalhadores Saindo da Fábrica, os primeiros filmes, uma cena de Rodolfo Valentino e várias cenas antológicas de Fred Astaire, em seus principais musicais...

3) Mundo da TV: além de cinema, também sou um grande espectador de TV e acho que, apesar das críticas, a nossa vida já está definitivamente veiculada a ela. Assim, criei o Blog Mundo da TV (http://rztvtudo.blogspot.com/), nos mesmos moldes do AcinemaZ, mas desta vez dedicado à TV. Ele teve início em Novembro de 2010, e já postei sobre a História da TV, Seriados dos Anos 50 (I Love Lucy, The Goldbergs, Superman), Novelas dos Anos 50 e 60, outros programas (Bozo e The Ed Sullivan Show), além de personalidades da TV (Assis Chateaubriand, Lima Duarte, Marieta Severo, Glória Magadan, Tarcísio Meira e Glória Menezes) e até Trilhas Sonoras de Novelas dos Anos 60...

4) Mitomania: o quarto Blog dedicado a algum assunto específico, e também o "caçula" dos meus Blogs (http://mitosmania.blogspot.com/). Nele, pretendo postar sobre mitos e lendas, mas de uma forma mais lúdica. Tanto que já postei sobre a série de livros Percy Jackson e Os Olimpianos e também sobre os Deuses Primordiais. Quer saber sobre esses assuntos? Lá você encontra maiores detalhes...

A Revolução Industrial - Parte V



Nesta parte do livro, o historiador Eric Hobsbawn procura explicar como foi que a Inglaterra apresentou "soluções" para a questão da "transformação" da agricultura, e como isso contribuiu para a Revolução Industrial. Para compreendermos melhor esse momento, vejamos este trecho, extraído de outro blog:

Cercamentos eram terras cercadas para a criação de ovelhas, cuja lã era usada na fabricação de tecido, principal produto inglês na época. Os cercamentos foram criados a partir do século XVI. Antes disso, muitos camponeses estavam submetidos a uma relação de servidão. Seu senhor lhes dava proteção militar e, em troca eles eram obrigados a trabalhar em suas terras. Por mais explorados que fossem, os servos tinham onde morar, plantar e criar alguns animais.

O senhor que cercava suas terras rompia esse laço de dever e libertava os servos de qualquer obrigação. Livres, porém expulsos das terras, os servos perdiam suas condições de sobrevivência e não tinham para onde ir. Assim, os cercamentos provocaram intensa migração do campo para a cidade. Nas cidades, os trabalhadores tinham como principal opção se submeterem aos baixos salários oferecidos nas fábricas. Estava constituída, assim uma massa de trabalhadores capaz de se sujeitar aos míseros salários pagos pelos donos das indústrias que surgiam nas cidades.


(CARDOSO, Oldimar. coleção Tudo é História. ensino fundamental. in http://histoblogsu.blogspot.com/)

Segundo Hobsbawm, o "Movimento das Cercas" foi uma transformação social e não tecnológica, "que fez a Grã-Bretanha um país de alguns grandes proprietários, um número moderado de arrendatários comerciais e um grande número de trabalhadores contratados".

Do ponto de vista financeiro, esse "movimento" foi um sucesso, mas do ponto de vista humano, foi uma tragédia: milhares de camponeses não tinham mais onde plantar, pois seus locais de cultivo haviam virado pasto para ovelhas. Assim, a solução era continuarem no campo, como empregados dos grandes fazendeiros, ou então migrar para as cidades, onde virariam operários...

Mas, no período que o livro abrange (1789/1848), essa migração foi relativamente pequena, ampliando-se na segunda metade do século XIX. E, para piorar a situação, os camponeses não tinham os hábitos de um operário, de manter horário de trabalho. Eles tinham que aprender o trabalho e também criar uma rotina de trabalho, que antes não havia. Dessa forma, havia duas maneiras de transformar os operários em "dóceis operários": ou pagar muito pouco, forçando-os a trabalhar sem parar, ou empregar mulheres e crianças, que eram uma mão-de-obra mais barata:

Nas fábricas onde a disciplina do operariado era mais urgente, descobriu-se que era mais conveninete empregar as dóceis (e mais baratas) mulheres e crianças: de todos os trabalhadores nos engenhos de algodão ingleses em 1834-47, cerca de 1/4 eram homens adultos, mais da metade era de mulheres e meninas, e o restante de rapazes abaixo dos 18 anos (Imagem 1: mulheres trabalhando numa fábrica de tecidos).

Hobsbawm conclui esse capítulo lembrando que a Grã-Bretanha era a "oficina do mundo", nesse período. Também fala sobre o impacto dessa Revolução:

Pelos padrões de 1848, ela era monumental, embora também chocasse bastante, pois suas novas cidades eram mais feias e seu proletariado mais pobre do que em outros países.

Síntese: páginas 77 a 82 (continua)