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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Reis Franceses - Parte II (Prefeitos do Palácio)

Para entendermos as mudanças ocorridas na Monarquia Francesa, precisamos compreender o trabalho dos prefeitos do Palácio.

Prefeito do Palácio, Mordomo do Palácio ou Major Domus era o título que recebia o representante do Rei. A princípio, ele era isso mesmo: um representante. Mas, com o passar do tempo, alguns deles começaram a ter poderes cada vez maiores, e muitos chegaram a substituir o Rei em seus afazeres e politicamente tinham até mais poder e influência.

Um Prefeito do Palácio famoso foi Pepino I de Landen ou Pepino O Velho (580/640). Ele foi Prefeito de Clotário II, Dagoberto I e Sigeberto III.

Mas o primeiro a dominar totalmente um rei foi Ebroin, que dominou o Rei Clotário III (658 a 673). Tanto que Clotário III foi considerado o primeiro roi fainéant ("rei que nada faz"), da Dinastia Merovíngia. Depois, ele também foi Prefeito de Teodorico III (673/691), da Nêustria.

O filho de Pepino I de Landen foi Grimoaldo O Velho (616/662). Ele foi Prefeito de Sigeberto III, Clóvis II e Clotário III.

O neto de Pepino I de Landen foi Pepino II de Herstal (635/714). Ele foi Prefeito de Clóvis IV. Ele combateu Ebroin durante anos, até a morte dele. A partir de 687, ele passou a governar a maior parte do Reino Franco, passando a ser chamado de Duque e Príncipe dos Francos (dux et princeps Francorum). Depois, ele foi Prefeito de Childeberto III (695/711).


Pepino de Herstal morreu em 714, e um outro Prefeito parecia estar no poder: Ragenfrid. Mas o filho bastardo de Pepino, chamado Carlos e apelidado Martel ("martelo") lutou contra vários pretendentes ao trono, conquistando-o em 718 e tornando-se Prefeito de todos os francos.


Carlos Martel (688/741) ainda foi Prefeito do Palácio de Teodorico IV (721/737). O filho de Carlos Martel, Pepino, O Breve, nasceu em 714.


Quando Teodorico IV morreu, em 737, Carlos Martel continuou governando. Mas ele morreu em 741, sete anos depois. Pepino, O Breve, então com 27 anos, escolheu Childerico III para dar continuidade ao governo. Mas, quem governava de fato, era Pepino. Tanto que o Rei era chamado de Rei Fantasma.


Mas Pepino percebeu que o rei, de fato, era ele. Então, encaminhou uma pergunta ao Papa Zacariasquem deveria ser o governante real: aquele que possuísse o título de rei, ou a pessoa que tomasse as decisões como rei. O Papa respondeu que o poder de facto era mais importante que o poder de jure. E, assim, Pepino pegou para si a coroa e tornou-se Rei...Abaixo, o Rei Pepino I:



















A Revolução Francesa - Parte II

Quem fez a Revolução Francesa? A burguesia. Ela foi uma revolução burguesa. Observe o que Hobsbawm tem a dizer:

"...um surpreendente consenso de idéias gerais entre um grupo social bastante coerente deu ao movimento revolucionário uma unidade efetiva. O grupo era a 'burguesia'; suas idéias eram as do liberalismo clássico, conforme formulada pelos 'filósofos' e 'economistas' e difundidas pela maçonaria e associações informais."

Para entendermos a Revolução Francesa, temos que entender a burguesia. Lembremo-nos que essa classe social surgiu ainda no fim da Idade Média, nas pequenas cidades medievais, chamadas de burgos (imagem abaixo). Burgueses eram não só os habitantes dos burgos mas, antes de tudo, as atividades que eles exerciam: bancos, comércio e artesanato (depois manufatura e indústria).



Essa classe social, na França, sentia-se preterida, nas decisões. Mas, quando o assunto era dinheiro, eles eram lembrados. E essa insatisfação refletia-se nas idéias: livros e textos circulavam entre os burgueses, propagando idéias que, até então, eram proibidas. Essas idéias eram "pensadas" pelos "filósofos" e "economistas": John Locke (1632/1704), Montesquieu (1689/1755), Voltaire (1694/1778), Rousseau (1712/1778), Adam Smith (1723/1790) e outros.

Mas, em que sentido se deu a Revolução? O que a burguesia fez, a partir de 1789, dura até hoje? A resposta é não, porque até então, os burgueses não pensaram e nem fizeram uma revolução "para todos". Na verdade, o que almejavam eram seus direitos.
Pensemos no lema da Revolução: liberdade, igualdade e fraternidade. Alguém já disse que onde existe liberdade nunca existirá igualdade, pois a primeira elimina a segunda. Na verdade, quando os burgueses falavam em "todos têm direito à propriedade", por exemplo, significava que cada pessoa iria receber um quinhão de terra para plantar e/ou construir sua casa? Não...
A propriedade que defendiam era a sua mesma, pois até então, TUDO era do Rei e das pessoas que estavam ao seu redor. Essa defesa não era universal, mas específica das demandas da burguesia. E o mesmo podemos dizer em relação a outros direitos que se buscavam...

Mas é claro que não foi apenas no campo das idéias que se deu a "chama inicial" da Revolução. A onda de fome, péssimas colheitas e aumento da pobreza, tanto nas cidades como no campo, colaboraram para que ela eclodisse.

O interessante, nesse caso, foi o estopim da Revolução: convocados para aumentar os impostos, a fim de auxiliar na enormidade dos gastos da Corte e do Estado franceses, os representantes do Terceiro Estado se rebeleram quanto ao sistema medieval de votação. Até então, se votava por Estado: Nobreza tinha um voto, Clero tinha outro e todo o Terceiro Estado tinha o terceiro voto. Mas esse sistema era irracional, visto que o Terceiro Estado representava 95% da população. Assim, os representantes desse Estado exigiram que a votação fosse per capita, ou seja, pela quantidade de representantes e representados. E o resto é História...Abaixo, os representantes dos Três Estados: Clero, Nobreza e Terceiro Estado (desde empresários e banqueiros, até profissionais liberais, operários e camponeses):


Um ponto, explorado por Hobsbawm, e que é importante que lembremos, é aquele em que a Revolução foi apresentando, no decorrer dos dez anos que durou: primeiramente, os burgueses, sabedores do povo apoiando-os, iniciando a Revolução; em seguida, o povo indo muito além do que até mesmo os burgueses queriam ou esperavam; e terceiro, os burgueses "pegando as rédeas" da Revolução, e tornando-a mais agradável a eles.
Esses três momentos têm a ver com os interesses de cada grupo que compunha o Terceiro Estado. Talvez, por serem todos considerados "Terceiro Estado", tenham começado o movimento juntos. Mas era óbvio que os interesses de um camponês, de um trabalhador urbano e de um empresário não eram os mesmos. Então, no decorrer da Revolução, o povo extrapolou, levando milhares de pessoas à guilhotina. Mas, despreparados, aos poucos foram sendo colocados em deus lugares, a fim de que a burguesia reassumisse a liderança da Revolução. E por isso é que dizemos que ela foi de cunho burguês...

Outro detalhe, ainda nesse contexto, foi o conjunto de atitudes do rei. Ao invés de conciliador, ele se mostrou provocador, ao mandar os soldados contra os revolucionários, antes mesmo deles se perceberem como tais. E depois, ao tentar fugir do país, em 1791, ao invés de aceitar o que lhe era proposto (até então, havia quem concordasse com um rei que aceitasse a Constituição). Luís XVI preferiu ser um rei morto (e decapitado) a ser um rei constitucional. E o azar foi dele...Abaixo, Luís XVI:


Síntese: páginas 90 a 98